Institucional Orla Ferroviária de Campo Grande, 2010

 ORLA FERROVIÁRIA DE CAMPO GRANDE

 

 Memória do Projeto

 

Após a entrega das obras do Contorno Ferroviário  e a consequente desativação pela RFFSA ( Rede Ferroviária Federal ) de suas instalações no centro da cidade, a área remanescente dos trilhos ficou abandonada.

 

Com a Proposta Arquitetônica e Urbanística para a Orla Ferroviária de Campo Grande pretendia-se a revitalização urbana da antiga faixa de domínio sendo então delimitada entre as avenidas Afonso Pena e Mato Grosso.

 

A intervenção facilitaria o acesso aos bairros adjacentes, além de requalificar o local vocacionando-o para novas atividades, bem como contribuindo para o fortalecimento daquelas tradicionalmente desenvolvidas na região .

 

O percurso  se desenvolve no sentido norte-sul.  É exclusivo a pedestres e interliga o Mercado Municipal a Estação Central.  Possui eixo cicloviário ,  acessibilidade ,  ambientes para estar e contemplação  além de quiosques com gastronomia típica da região ou das colônias de imigrantes.

 

  Está  dividido em seis segmentos  definidos  pelas vias que o cruzam e por um córrego canalizado, o que demandou significativa  alteração  na topografia local  devido a sua proximidade da Estação Ferroviária.

 

Os dois segmentos situados nas extremidades  caracterizaram-se como praças em função das vias que os envolveram.  Aquele ao norte  tornou-se mais singular,  resultou  elevado em relação ao nível da Av. Calógeras em função da cota dos trilhos  além de abrigar um dos pontilhões – o mais expressivo.  Devido a sua ampla conformação, foi destinado a feiras de artesanato e lazer contemplativo. 

 

Diferentemente de outras localidades onde se observa , na chegada dos trilhos,  a cidade para ele voltada , no caso da região central de Campo Grande o processo ocorreu de forma diferente. Analisando o tecido urbano constata-se  que a linha férrea, margeando o centro ,  não foi contextualizada com a paisagem urbana à época. Sendo encarcerada pelas construções lindeiras em um corredor estreito que hoje compõe  três segmentos ao meio do percurso. Entre as ruas Barão do Rio Branco e Maracajú.

 

Esta condição definiu a destinação destes três setores , buscou-se intensificar a vivência local como fator de segurança evitando espaços êrmos e confinados . Considerando sua posição estratégica junto ao polígono central  do comércio e, identificando sua vocação comercial e cultural, foi proposto a integração das construções e terrenos lindeiros ao eixo ferroviário  com a intenção de caracterizá-lo como um circuito comercial aos moldes de uma Rua 24 hs.

 

Para tanto seria concedido , através da Prefeitura Municipal,  uma série de incentivos fiscais estimulando os lindeiros a abrirem o fundo de suas construções ( hoje somente voltadas para a Av. Calógeras) para a Orla Ferroviária ou permitindo o desmembramento dos lotes para que novos proprietários pudessem desenvolver suas atividades no local. 

 

Novos índices urbanísticos foram definidos para o circuito caracterizando-o como área de baixa densidade construtiva porém, mantendo a taxa de ocupação da região central a qual está inserida.

 

O último segmento ao meio do percurso  situa-se sobre o vale do córrego Maracajú  , entre  os pontilhões . Possui a topografia  mais singular  e remete a imagem de uma barragem de usina hidro-elétrica.  Sem condições de interação comercial é o que permite a melhor  visualização da paisagem local visto sua cota elevada . Para tanto foram removidas vegetações  e construções em grau precário de conservação conflitantes ao local, evidenciando assim os pontilhões e os taludes da calha ferroviária,  devolvendo áreas verdes a região central  em convergência com o necessário aumento da taxa de permeabilidade do solo . 

 

Todos os pavimentos foram concebidos com referência ao nível dos trilhos que se estabelece na proposta como elemento ordenador do projeto. Foram preservados em sua totalidade, inseridos em um jardim contínuo entremeados por pindós ( palmeira nativa ) que marcam a cadência  do percurso. Da mesma forma foi preservada a calha ferroviária em caso de necessidade futura por maior mobilidade urbana.

 

No contexto sócio-cultural cada um dos seis segmentos da Orla Ferroviária faz referência às colônias de imigrantes que se utilizaram dos trillhos para chegar à cidade . Painéis relatam  seus históricos migratórios e flâmulas são fixadas nos postes nos respectivos períodos de festividades.

 

O projeto integrou uma série de políticas urbanas formuladas por entidades locais dentre elas o PLANURB, SEMADUR, UPPE, AGETRAN E IPHAN.